Apesar do esforço da senadora Ana Amélia na tentativa de levar o diretório municipal do PP a uma aliança com o PCdoB, de Manuela d’Ávila, os progressistas de Porto Alegre estão dispostos a manter a aliança com o PDT de José Fortunati. É fato que os primeiros movimentos da senadora balançaram as consciências dos membros do PP, de Porto Alegre, mas um levantamento feito nos últimos dias dá conta que José Fortunati conseguiu convencer os integrantes do diretório progressista a manter a aliança com o seu PDT. Se isso acontecer, a senadora - a mais importante líder do partido nos últimos 20 anos - ficará desconfortável no partido.
Sua disposição é de votar em Manuela d’Ávila, qualquer que seja a decisão do PP da Capital. Esta posição da senadora de apoiar a candidata do PCdoB não caiu bem no Interior do Estado. As principais emissoras de rádio da Capital, que mantém programas jornalísticos interativos, têm recebido inúmeras críticas à posição da senadora. Algumas até irritadas. Não passa pela cabeça desse pessoal - eleitores e admiradores da antiga Arena - historicamente, mais do que adversários, inimigos dos comunistas, votar no antigo partidão. O PP terá, em todo o Estado, cerca de 300 candidatos a prefeito, em alianças com diversos partidos. Poucas delas serão com o PCdoB. Os eleitores não simpatizam com esta possibilidade.
O reflexo disso pode alcançar 2014 e colocar em risco uma possível candidatura de Ana Amélia ao governo do Estado. Outra: o pessoal do PP do Interior não acredita na promessa de um futuro apoio dos comunistas às pretensões progressistas de chegar ao Piratini. Este é o quadro do momento. Mas pode mudar. Política - como dizia Magalhães Pinto - uma das maiores raposas da política brasileira - é como uma nuvem: a gente olha está de um jeito. Olha de novo, está de outro jeito. Ana Amélia está assumindo um projeto temerário ao apoiar o PCdoB. Mas ela é desassombrada e não desiste jamais. No próximo dia 28, o PP recebe Manuela d’Ávila, dia 4 de junho, José Fortunati.
A DECISÃO - A convenção municipal do PP está marcada para o dia 11. E aí, seja o que Deus quiser!
Ops!
Foram tantas perguntas feitas ao secretário municipal da Fazenda, Roberto Bertoncini, na reunião desta quinta-feira da CPI do Instituto Ronaldinho Gaúcho, que lá pelas tantas o titular da pasta confundiu o nome de um dos objetos da comissão de inquérito. Ao se referir ao programa Letras e Gols, ele disse Letras e Números.
Snif...
-Acho uma injustiça que eu, que tive um papel fundamental para essa CPI sair, não possa fazer perguntas, enquanto outros, que não queriam a CPI, estejam fazendo mil perguntas. Estes foram os choramingos do vereador do PV Elias Vidal, o emblemático último signatário da CPI do Ronaldinho, instalada na Câmara Municipal. Ele não integra a comissão, que foi definida de acordo com a proporcionalidade das bancadas, e, por isso, não pode fazer questionamentos. Constrangimento geral.
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O gaúcho Paulo Ziulkoski, presidente da Confederação Nacional dos Municípios, caiu em desgraça com a presidente Dilma Rousseff. Ele ousou desafiar a presidente ao expô-la a vaias de um auditório repleto de prefeitos. Isso aconteceu, na terça-feira, durante a Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, liderada pelo ex-prefeito de Mariana Pimentel. Foi assim: em meio ao encontro, La Senhora foi submetida, durante 35 minutos, a cobranças de toda a ordem, por parte da prefeitama. Eles reclamaram desde o piso salarial dos professores, passando pelo fim dos lixões até 2014 e chegando ao programa de construção de creches.
Desassombrada, foi ao microfone, responder às críticas recebidas. Ao falar sobre a distribuição dos royalties do petróleo disse, com a franqueza habitual: -Não acreditem que vocês conseguirão resolver a distribuição de hoje para trás. Lutem de hoje para frente. A fala da presidente contrariava os interesses da maioria dos prefeitos presentes no evento. Para que foi? Desencadeou sobre ela uma orquestrada e sonora vaia. A presidente ficou irada. Ao encerramento do evento, ela não deixou por menos. De dedo em riste, fez saber a Ziulkoski que ela o considerava insuflador de tão desagradável manifestação. E logo ele, do PMDB, partido que integra a base aliada! Doeu! Esta foi a primeira vez que dona Dilma passou por este tipo de constrangimento público. Com toda a avaliação popular conquistada, a presidente nem pensava ouvir vaias ao falar para os prefeitos. E a primeira vaia ninguém esquece! Ziulkoski, aparentemente, deu de ombros para a reprimenda presidencial.
Afinal, a causa é justa, tais são as preocupações por que passam os prefeitos brasileiros: -Cerca de 3,5 mil prefeitos poderão ser pegos pela lei da ficha limpa, não porque cometeram atos de corrupção, mas porque não conseguiram se enquadrar na Lei da Responsabilidade Fiscal. Temos dois caminhos tristes: descumprir a lei e desorganizar as finanças dos municípios, disse Ziulkoski. Ainda irada, mas a irritação não lhe tirou a sensibilidade, a presidente prometeu apoio da Secretaria de Relações Institucionais para que os prefeitos não sejam injustamente enquadrados na lei da ficha limpa: “Isso tem o meu repúdio. O governo vai ser parceiro para separar o joio do trigo.” Mas não ficou só nisso. A presidente prometeu atender a uma série de reivindicações dos prefeitos, mas a questão dos royalties do petróleo é complicada: os prefeitos vão ter que discutir o assunto com o Congresso Nacional. Por fim, a Marcha dos Prefeitos, em parte, foi sucesso. Eles conseguiram dizer à presidente o que ela não ouve de seus ministros, assessores e conselheiros. O que não ficou bem resolvida foi a questão das vaias. Dona Dilma não engoliu a manifestação ruidosa de uma maioria outrora silenciosa.
ENCRESPOU - Pelo seu estilo, de não gostar de ser contrariada, há de se prever que Paulo Ziulkoski está, irremediavelmente, marcado na paleta.
Memória
O Movimento de Justiça e Direitos Humanos, presidido por Jair Krischke, está formatando com a prefeitura da Capital o projeto Marcas da Memória, para indicar locais utilizados como centros de tortura e prisão no período na ditadura militar. A assinatura do convênio será na próxima terça-feira.
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Há uma grande incógnita em relação à eleição de outubro próximo: Com quem marchará o PP? Com o candidato do PDT, José Fortunati, ou com a candidata do PCdoB, Manuela d’Ávila? Esta decisão será tomada em 11 de junho, coincidentemente às vésperas do Dia dos Namorados. Nesta data emblemática, o PP vai colocar a aliança, só não se sabe com quem. O triângulo amoroso continua caliente: PP, PDT e PCdoB. Ontem, como já havia acontecido com o PCdoB, foi a vez de José Fortunati se encontrar com o diretório municipal do Partido Progressista.
Por enquanto, nada de novo. Tudo continua como antes naquele famoso quartel. O PP, que mantém relação estável com o PDT, está prestes a pular o muro e cair nos braços do PCdoB. Os caciques do PP regional - tendo à frente a senadora Ana Amélia Lemos -, com os olhos focados em 2014, preferem que o partido troque aliança com o PCdoB. Com isso, Manuela d’Ávila, prefeita de Porto Alegre - ou não -, apoiaria a candidatura da senadora progressista ao Palácio Piratini. Há uma outra corrente no PP - a do diretório municipal de Porto Alegre - que quer manter a aliança com o PDT. Os críticos desta corrente dizem que os seus integrantes estão mais preocupados em manter seus CCs na prefeitura do que com a possibilidade de chegar ao Poder, em 2014. Quem apostar numa ou noutra hipótese estará sendo, no mínimo, precipitado.
Em razão disso tudo, Fortunati, que já tem apoio do PMDB metropolitano, está impossibilitado de escolher o seu companheiro de chapa. O candidato a vice-prefeito já está praticamente escolhido. Se não houver nenhum acidente de percurso, o vereador Sebastião Mello, presidente do diretório metropolitano do PMDB, deve assumir esta posição na campanha. Mas, quando se pensa que Fortunati já fechou todas as articulações, surge por fora o PTB barganhando o apoio ao pedetista em troca de cargos na administração municipal. Este é o quadro: O PP é o grande fiel da balança na eleição para a prefeitura municipal de Porto Alegre. O apoio da legenda pode ser decisivo para que Fortunati continue aboletado na cadeira de prefeito.
2014 - Mas há um problema: O apoio do PCdoB será fundamental para que Ana Amélia alcance o Palácio Piratini, em 2014. Aí é que a porca torce o rabo.
Cargos
O prefeito José Fortunati disse ontem que o PTB não está buscando mais cargos na próxima administração municipal em troca de apoio. -Está havendo uma má interpretação sobre isso, o PTB quer uma secretaria de ponta, que seja, do ponto de vista político, emblemática, afirmou.
Troca-troca
Mesmo com as negociações em pleno andamento, o presidente municipal do PTB, Elói Guimarães, sempre ressalta que os petebistas não procuram cargos com base no “troca-troca”. Ah, para!
Pedágios
Não é só a bancada do PDT que está preocupada com a criação de uma empresa para fazer a gestão das rodovias concedidas e dos pedágios comunitários no Rio Grande do Sul. Hoje, outro aliado da base do governo Tarso Genro (PT), o PSB, liderado pelo deputado Miki Breier, se reúne com o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, que detalhará o pacote de projetos.
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Quando se fala em Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sempre se diz que todos sabem como começa, mas não como acaba. Ou então, que toda CPI termina em pizza. Cientistas políticos, quando consultados, costumam racionalizar o funcionamento das CPIs: elas não podem punir nem processar. Podem fazer inquéritos e pedir indiciamento. Por exemplo, a CPI da vez - do Carlinhos Cachoeira - será “eminentemente” política porque a Polícia Federal (PF) já prendeu os envolvidos.
Ao contrário do que se apregoa, a CPI não é exatamente uma ferramenta da oposição. Antes de mais nada, é um instrumento de controle e fiscalização a fim de evitar abuso de poder. E neste aspecto, aí sim, é natural que seja mais utilizada pela oposição. Mas no caso concreto, eis que a oposição ficou sem discurso, graças ao envolvimento de parlamentares (políticos) do DEM e do PSDB com Carlinhos Cachoeira.
O cientista político da Universidade de São Paulo (USP) José Álvaro Moisés, especialista em Congresso Nacional, avalia que o PT “deu um tiro no pé” ao apostar que a CPI do Cachoeira poderia ofuscar o julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). Para ele, os fatos divulgados do colegiado ao final serão exclusivamente sobre o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) e o governador Marconi Perillo (PSDB-GO).
Mas o professor José Álvaro Moisés não afasta a possibilidade de que a CPI provavelmente venha mostrar o envolvimento de políticos de um espectro partidário muito mais amplo do que se imaginava no início.
PRESSÃO - Dentro do contexto da CPI, é bom lembrar que desde o início do período de governo, Dilma Rousseff (PT) tem tido atritos com a base aliada. A falta de unidade da bancada do governo pode ser uma ameaça ao Palácio do Planalto. Como a base de coalizão é extremamente diversificada e heterogênea, pode haver setores que foram defenestrados dos ministérios durante a faxina presidencial ou que estejam se sentindo desatendidos na distribuição de cargos que podem usar a CPI do Cachoeira para produzir informações para pressionar o governo. Mas isso é parte do jogo, é parte da democracia.
Jogo duro
O depoimento do procurador-geral do Município, João Batista Linck Figueira, pouco acrescentou aos trabalhos da CPI do Instituto Ronaldinho, na Câmara Municipal de Porto Alegre. Acontece que os vereadores também não conseguem conduzir o processo a ponto de dar efetividade à investigação. A CPI ainda está patinando...
Transparência
O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Cezar Miola, apresentou na quinta-feira, no plenário da Câmara Municipal de Porto Alegre, as novas ferramentas de controle social disponibilizadas no portal da instituição na internet. O objetivo, segundo Miola, é facilitar o acesso da população às informações sobre o setor público. A transparência é prioridade do TCE, que já cumpriu quase 100% das exigências da Lei de Acesso à Informação. A nova legislação entra em vigor no dia 16 de maio.
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Há dois meses, vincular a remuneração da poupança à queda dos juros era avaliada pelo mercado com reserva. Havia quem dissesse que tratar de tema tão polêmico em ano eleitoral seria suicídio. No entanto, cá estamos com o assunto em pauta.
A decisão da presidente Dilma Rousseff (PT) de modificar as regras da poupança, antes de representar uma repercussão econômica, é uma ação eminentemente política. A alta popularidade e a fraca oposição política e parlamentar permitiram à presidente mudar a caderneta. Igualmente o seu estilo pessoal foi fundamental para alterar as normas do investimento mais tradicional do brasileiro. Um presidente fraco não teria credibilidade para mexer na poupança. Lembram-se de Collor?
Paralelamente, esse voluntarismo da presidente se aliou a uma cruzada popular. Dilma tinha convicção de que é preciso baixar os juros. Obviamente, a sociedade aprova a redução dos juros. Ao longo do governo, toda a popularidade da presidente tem se baseado na expectativa de que o consumo das famílias se mantenha alto.
Todavia, é cedo para afirmar que a presidente Dilma esteja forjando um legado de seu governo com a cruzada de juros baixos, segundo avaliam cientistas políticos e economistas.
Inimigo na trincheira - Há setores ligados ao mercado financeiro que acham “temerária” a mexida na poupança, já que a inflação pode voltar e ganhar fôlego com juros menores. A conferir.
Estabilidade
A comissão mista que debaterá a alteração das regras de correção da caderneta de poupança previstas na Medida Provisória (MP) 567 foi instalada ontem no Congresso Nacional. O relator da matéria, deputado federal petista Henrique Fontana, adianta que o cronograma da comissão prevê a participação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no dia 22 de maio, e a apresentação do relatório no dia 29 do mesmo mês. O parlamentar destaca que a urgência na tramitação desta proposta é para garantir que o mais importante instrumento de poupança do País tenha um caráter estável.
Mensalão
Ex-ministro da Justiça do governo Lula e hoje advogado de Carlinhos Cachoeira, Márcio Thomaz Bastos está insistindo em desmoralizar o julgamento do mensalão no STF. Na terça-feira, o ministro STF Joaquim Barbosa negou mais uma tentativa de Bastos de desmembrar o processo, para deixar no Supremo apenas os réus contemplados com o chamado foro privilegiado. Imaginem só. Caso o pedido fosse atendido, 35 dos 38 réus do processo, entre eles José Dirceu (PT), Marcos Valério, José Genoino (PT) e Delúbio Soares (PT), não seriam mais julgados no STF, mas na primeira instância.
Dívida
A comissão especial para repactuação da dívida do Rio Grande do Sul da Assembleia Legislativa faz hoje, às 11h, no plenarinho a sua primeira reunião. O grupo irá estabelecer um prazo para a escolha do vice-presidente e do relator do órgão técnico. Também definirá um cronograma de atividades para as próximas semanas.
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