A Fifa vem cobrando sistematicamente o cumprimento dos prazos para obras relativas à realização da Copa do Mundo de 2014. Um dos setores mais preocupantes é o dos aeroportos das cidades-sede dos jogos, que deverão aumentar consideravelmente o movimento de passageiros nos meses de junho e julho.
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado recentemente, aponta que dos 16 aeroportos de cidades onde haverá jogos, 11 apresentarão problemas de "estrangulamento".
A advertência feita pelos especialistas indica que haverá um "caos completo" nos aeroportos brasileiros durante a Copa, mesmo que as obras sejam realizadas no prazo previsto.
O Ipea projeta ainda que enquanto em 2010 o movimento anual nos aeroportos foi de 155 milhões de passageiros, a previsão para 2014 é de que superará 225 milhões.
Além da burocracia, que emperra a liberação de verbas para as obras, a atual situação é resultado do descompasso entre investimentos e demandas dos aeroportos brasileiros, somado ao acesso da nova classe média ao transporte aéreo. Em 2010, mais de 1 milhão de pessoas viajaram pela primeira vez de avião.
Só nos últimos sete anos o movimento de passageiros nos terminais saltou 116%. Outro dado impressionante é que os terminais brasileiros têm 15% mais passageiros por metro quadrado que os da Europa e superam os dos Estados Unidos em 29%.
No caso específico de Porto Alegre, a estrutura de embarque e desembarque do Aeroporto Salgado Filho tornou-se acanhada para um fluxo de passageiros que vem crescendo à taxa média de 15% ao ano desde 2006. Em 2010 o movimento atingiu 6,6 milhões de passageiros, podendo chegar a 11,5 milhões em 2014.
Ou seja, o prefeito José Fortunati (PDT), o governador Tarso Genro (PT) e a presidente Dilma Rousseff (PT) terão que se empenhar muito para que não façamos feio na Copa.
Legalidade
A deputada estadual Juliana Brizola, do PDT, apresentou projeto definindo que 28 de agosto seja oficialmente declarado como o Dia da Legalidade. Ela também quer instituir a Semana da Legalidade, lembrando todos os anos a campanha liderada pelo avô, Leonel Brizola, que era governador em 1961.
Doações milionárias
Prestações de contas encaminhadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que os partidos aliados do governo receberam doações milionárias enquanto o PPS, da oposição, arrecadou apenas R$ 332 mil de empresas. A principal fonte de recursos da legenda foi o fundo partidário, que contribuiu com R$ 7,8 milhões. Os dados fazem parte das prestações de contas de 2010 entregues pelos partidos políticos ao TSE. Distorções como essa só serão eliminadas com uma reforma político-eleitoral séria e responsável.
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