Adão Oliveira - Um olhar atento sobre a política do Brasil.

  • 17
    mai.

    O preço

    Getúlio Vargas nomeou um amigo para a alfândega e avisou: - Quando quiserem corromper você, me avise. Meses depois recebe uma carta: - Presidente Getúlio Vargas, por favor, me demita urgente. Os homens estão chegando no meu preço.

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  • publicidade Pmpa
  • 27
    mar.

    A conversa de Jango e Brizola

    Em Montevidéu, nove da noite, um carro parou em frente a casa de Brizola.
    Saltou, sozinho, João Goulart, sua mulher, irmã de Jango, e o romancista gaúcho Josué Guimarães, velho amigo dos três. Ao ver Jango, Brizola levantou-se, foi para o escritório, fechou a porta.

    Jango entrou, conversou, disse à irmã: - Vim falar com ele.

    D. Neusa foi lá: - O Jango quer conversar contigo.

    - Não tenho nada a conversar com ele.

    Jango tinha. Abriu a porta, entrou no escritório. Conversaram três horas, trancados. De manhã, Jango viajou para Londres.

    Desde abril de 64 que os dois não se viam nem se falavam. E nunca mais se viram nem se falaram.

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    • Sady Motta 27 / mar.

      Tem gente que sabe desta. Abs

  • 21
    mar.

    Getúlio e os Estados Unidos: cimento, chiclete e .....

    Quando os jornais noticiaram, logo depois de 1930, a possibilidade dos Estados Unidos penhorarem o ouro brasileiro depositado lá, para pagamento da nossa dívida externa, Getúlio Vargas ficou irritadíssimo.

    Chega um amigo de Nova York e vai conversar com ele: - Getúlio, tu precisas ir lá. Os Estados Unidos excedem, em tudo que se possa imaginar. Nova York é uma cidade ciclópica e tentacular, alguma coisa de inacreditável pela grandeza, pelo progresso.

    Getúlio ouvia em silêncio, charuto na boca: - Nada disso. O cérebro deles é de cimento, chiclete e matéria plástica. E Getúlio nunca foi lá. Quando na guerra, Franklin Roosevelt quis conversar com ele, teve de vir ao Brasil, de cadeira de rodas.

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  • 24
    jan.

    O acordo e as calcinhas

    Em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros: inconformadas com o acordo parlamentarista oferecido por Tancredo Neves a Jango (vice de Jânio), um grupo de mulheres tirou as calcinhas em plena praça e as ofereceu aos políticos que se debruçavam na sacada do Palácio Piratini.

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  • 20
    out.

    O crime de Getúlio

    Getúlio teria cometido um crime quando estudante em Ouro Preto, Minas Gerais, matando um colega numa briga de botequim. De fato, houve a briga. De fato, foi num bar. E, também de fato, morreu um estudante. Mas quem atirou não foi Getúlio. Estavam jogando bilhar, uma noite, em Ouro Preto, os estudantes gaúchos Viriato Vargas, seu irmão Getúlio, mais novo -tinha 15 anos-, Pedro Demóstenes e José Polidoro Machado da Silva. Chegaram uns colegas mineiros e, de repente, estoura uma briga. Baltazar, um dos mineiros, levanta um taco para bater na cabeça de Getúlio. Viriato puxa um revólver. Um mineiro puxa outro. Começam os tiros. No fim, estava Viriato com uma bala no braço e o mineiro Baltazar morto. Houve processo, Viriato foi absolvido. E voltou com o irmão Getúlio para o Rio Grande. Em vez de engenheiro de minas, que ia ser, Getúlio virou advogado. E começou a cavar a geologia do poder.

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Perfil

Adão Oliveira é jornalista e comentarista político.

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